O artigo “Inteligência Artificial Generativa e Desenvolvimento cognitivo: Entre a Ampliação da Aprendizagem e a Dependência intelectual” analisa criticamente os impactos da Inteligência Artificial Generativa nos processos de aprendizagem e no desenvolvimento cognitivo dos estudantes, procurando compreender se estas tecnologias representam uma oportunidade de ampliação das capacidades intelectuais ou um fator de dependência cognitiva. A investigação baseia-se numa revisão bibliográfica interdisciplinar, articulando contributos da psicologia do desenvolvimento, da neurociência cognitiva, das ciências da educação e dos estudos sobre tecnologia educativa.
O estudo evidencia que ferramentas como ChatGPT, Gemini, Claude e Copilot estão a transformar profundamente a forma como os indivíduos acedem, produzem e utilizam o conhecimento. Segundo o autor, estas tecnologias oferecem possibilidades significativas de personalização da aprendizagem, apoio tutorial inteligente, feedback imediato e promoção da inclusão educativa. A Inteligência Artificial pode funcionar como um instrumento de mediação cognitiva, ajudando os estudantes a superar dificuldades, desenvolver competências digitais e aceder a percursos de aprendizagem mais flexíveis e adaptados às suas necessidades individuais.
Contudo, o artigo alerta igualmente para os riscos associados à utilização excessiva ou acrítica destas tecnologias. Entre os principais desafios identificados encontram-se a dependência intelectual, a redução do esforço cognitivo, a superficialidade das aprendizagens e a erosão do pensamento crítico. O autor argumenta que a obtenção imediata de respostas prontas pode limitar processos fundamentais para o desenvolvimento intelectual, como a reflexão, a resolução autónoma de problemas, a argumentação e a construção ativa do conhecimento.
A análise apoia-se nas perspetivas teóricas de Jean Piaget, Lev Vygotsky, Stanislas Dehaene e Richard Mayer, demonstrando que a aprendizagem humana exige participação ativa, mediação adequada, feedback e envolvimento cognitivo significativo. Nesta perspetiva, a Inteligência Artificial Generativa pode constituir um poderoso recurso educativo quando utilizada como apoio à aprendizagem, mas pode tornar-se prejudicial quando substitui sistematicamente o esforço intelectual dos estudantes.
Por fim, o trabalho defende uma integração crítica, ética e pedagogicamente orientada da Inteligência Artificial nos sistemas educativos. O autor conclui que o verdadeiro impacto destas tecnologias depende menos das suas capacidades técnicas e mais da forma como são incorporadas nas práticas pedagógicas. Assim, a educação contemporânea enfrenta o desafio de aproveitar o potencial transformador da Inteligência Artificial sem comprometer a autonomia intelectual, a capacidade de pensamento crítico e o desenvolvimento integral dos aprendentes.
Referência do artigo:
Lopes, D. C. R. (2025). Inteligência Artificial Generativa e Desenvolvimento Cognitivo: Entre a Ampliação da Aprendizagem e a Dependência Intelectual. Manuscrito científico.
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