A Monografia intitulada “A Oficialização da Língua Materna Cabo-Verdiana e a Consolidação do Seu Sistema de Escrita: Soberania Linguística, Justiça Social, Descolonização Cultural e Desenvolvimento Nacional” analisa uma das questões mais relevantes da contemporaneidade cabo-verdiana: o reconhecimento oficial da língua materna e a consolidação de um sistema de escrita capaz de responder às exigências da educação, da administração pública, da produção científica e da cidadania. A partir de uma abordagem interdisciplinar, a obra articula contributos da sociolinguística, política linguística, direitos linguísticos, educação, estudos pós-coloniais e planeamento linguístico, demonstrando que a valorização da língua cabo-verdiana ultrapassa o domínio estritamente linguístico, constituindo igualmente um projeto de soberania nacional, justiça social, inclusão e desenvolvimento sustentável.
Estruturada em vinte e três capítulos, a obra percorre os fundamentos teóricos da política linguística, analisa a formação histórica da língua cabo-verdiana, examina o quadro jurídico nacional, discute o fenómeno da diglossia e do bilinguismo, apresenta experiências internacionais de oficialização linguística e avalia criticamente o processo de normalização da escrita em Cabo Verde. Um dos seus principais contributos consiste na análise aprofundada do ALUPEC, identificando simultaneamente as suas potencialidades, limitações e os desafios científicos, técnicos e institucionais que ainda condicionam a sua consolidação como sistema de escrita amplamente aceite.
O trabalho dedica igualmente especial atenção às relações entre língua, educação e desenvolvimento humano, demonstrando, com base em autores nacionais e internacionais e em recomendações de organismos como a UNESCO, que a valorização da língua materna favorece a inclusão educativa, melhora os processos de aprendizagem, fortalece a identidade cultural e amplia o acesso ao conhecimento. Neste contexto, a oficialização da língua cabo-verdiana é apresentada como uma política pública estratégica para a democratização da educação, o reforço da cidadania e a promoção da coesão social.
Para além da análise crítica da realidade cabo-verdiana, a obra propõe um conjunto de soluções concretas para a implementação gradual da oficialização, incluindo a produção de gramáticas e dicionários normativos, o desenvolvimento de terminologias científicas, a formação de especialistas, a criação de uma Academia da Língua Cabo-Verdiana e a definição de um roteiro estratégico para o período 2026–2050. Estas propostas procuram conciliar rigor científico, viabilidade institucional e consenso social, oferecendo um modelo de política linguística orientado para o futuro.
Destinada a investigadores, estudantes, professores, decisores políticos e a todos os interessados nas questões da língua e da identidade cabo-verdianas, esta obra constitui um dos mais completos estudos produzidos sobre a oficialização da língua cabo-verdiana. Ao reunir investigação documental, referências nacionais e internacionais e uma perspetiva comparada, o livro afirma-se como um importante contributo para o debate científico e para a construção de políticas públicas capazes de consolidar a língua cabo-verdiana como instrumento de conhecimento, cidadania, desenvolvimento e afirmação da soberania cultural de Cabo Verde.
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