Os Saberes pedagógicos, as Práticas Docentes e as Mudanças Educativas: entre a Gramática Escolar e a Inovação

O artigo “Os Saberes Pedagógicos, as Práticas Docentes e as Mudanças Educativas: Entre a Gramática Escolar e a Inovação” analisa a relação entre os saberes pedagógicos, as práticas docentes e os processos de mudança educativa, destacando a tensão permanente entre inovação pedagógica e persistência estrutural da escola moderna.

O estudo defende que os saberes docentes são multidimensionais e historicamente construídos, envolvendo conhecimentos disciplinares, pedagógicos e experienciais. Ao mesmo tempo, demonstra que a prática educativa é condicionada por estruturas institucionais relativamente estáveis, designadas como “gramática da escola”, que limitam o alcance das reformas educativas e explicam a permanência de modelos tradicionais de ensino.

Partindo de autores como Bernstein, Bourdieu, Tardif, Shulman e Tyack & Tobin, o artigo argumenta que as mudanças educativas raramente ocorrem por rutura profunda, acontecendo sobretudo de forma incremental, adaptativa e situada. Assim, os discursos contemporâneos de inovação pedagógica, frequentemente associados à digitalização, competências e avaliação por resultados, enfrentam constrangimentos estruturais inscritos na própria forma escolar.

Ao dialogar com o contexto cabo-verdiano, marcado por reformas curriculares sucessivas após a independência, o artigo sustenta que a inovação pedagógica só se torna sustentável quando reconhece os saberes profissionais docentes, a cultura escolar e as condições institucionais que moldam a prática educativa. O texto propõe compreender a mudança educativa como processo dialético entre agência docente e resiliência institucional.

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