A Escolarização e Construção do Estado-nação na perspetiva teórica compara e implicações para Cabo Verde

O artigo “A Escolarização e a Construção do Estado-Nação: Perspetiva Teórica Comparada e Implicações para Cabo Verde” analisa a escolarização como um dos processos centrais da modernidade e da consolidação dos Estados-nação, articulando contributos da sociologia, da história da educação e das teorias da governança global. O estudo demonstra que a escola moderna não surgiu apenas como espaço de transmissão de conhecimentos, mas como instrumento estratégico de integração social, padronização cultural, construção da cidadania e legitimação política.

A investigação explora o conceito de “forma escolar”, evidenciando como a escola moderna se estruturou historicamente através da organização disciplinar do currículo, da padronização do tempo escolar, da centralidade da avaliação e da institucionalização da autoridade docente. O artigo mostra que essa arquitetura escolar adquiriu grande estabilidade histórica, reproduzindo-se em diferentes contextos nacionais e internacionais.

O texto analisa ainda a escolarização de massas como fenómeno ambivalente: por um lado, ampliou o acesso à educação, promoveu integração nacional e favoreceu a mobilidade social; por outro, manteve mecanismos de reprodução das desigualdades sociais, culturais e económicas. Com base em autores como Bourdieu, Bernstein e Apple, o estudo argumenta que a escola continua a legitimar hierarquias sociais através da valorização de determinados códigos culturais e formas de conhecimento.

No plano contemporâneo, o artigo discute a crescente influência de organismos internacionais, como UNESCO, OCDE e Banco Mundial, na definição das políticas educativas globais. A expansão de indicadores internacionais, avaliações comparativas e mecanismos de accountability é apresentada como parte de uma nova arquitetura de governança educacional global, que redefine os objetivos da escolarização em função da competitividade, da eficiência e da mensuração do desempenho.

Em relação a Cabo Verde, o estudo destaca o papel central da escola na construção do Estado pós-independência e na afirmação da identidade nacional. Contudo, argumenta que a educação cabo-verdiana continua marcada por tensões entre herança colonial, exigências globais e afirmação cultural própria. Apesar dos avanços significativos na universalização do ensino e na alfabetização, persistem desafios estruturais ligados às desigualdades territoriais, à qualidade das aprendizagens e à inclusão substantiva.

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