O livro “Educação Inclusiva e Neurociência da Aprendizagem: Potencialidades e Limites da Aula Invertida na Promoção da Diversidade Cognitiva” inaugura a coleção -Educação Inclusiva e Neurociência da Aprendizagem– e apresenta uma análise aprofundada das relações entre educação inclusiva, neurociência, desenvolvimento humano e inovação pedagógica. A obra resulta de uma investigação teórica desenvolvida no âmbito do Doutoramento em Educação da Universidade Lusófona de Cabo Verde e procura compreender de que forma os avanços científicos sobre o funcionamento do cérebro podem contribuir para a construção de práticas educativas mais inclusivas e eficazes.
Partindo dos princípios da educação inclusiva, o autor discute os desafios colocados pela diversidade cognitiva presente nas salas de aula contemporâneas. O livro demonstra que os alunos aprendem de formas diferentes, influenciados por fatores cognitivos, emocionais, sociais e culturais, defendendo a necessidade de metodologias pedagógicas flexíveis e sensíveis às diferenças individuais. Ao longo da obra, são explorados conceitos fundamentais como neurodiversidade, plasticidade cerebral, equidade educativa, Desenho Universal para a Aprendizagem e aprendizagem significativa.
Um dos principais contributos do livro consiste na análise crítica da aula invertida (flipped classroom), uma metodologia frequentemente apresentada como inovadora e alinhada com as exigências da educação do século XXI. A investigação examina as potencialidades desta abordagem à luz dos quatro pilares da aprendizagem identificados por Stanislas Dehaene: atenção, envolvimento ativo, aprendizagem pelo erro e consolidação da memória – demonstrando que a eficácia da metodologia depende menos da tecnologia utilizada e mais da qualidade pedagógica da sua implementação.
A obra adota uma perspetiva interdisciplinar, integrando contributos da neurociência da aprendizagem, da psicologia do desenvolvimento, da sociologia da educação e da filosofia da educação. São analisadas as teorias de autores como Jean Piaget, Lev Vygotsky, Erik Erikson e Lawrence Kohlberg, bem como os trabalhos contemporâneos de Stanislas Dehaene, Mary Helen Immordino-Yang, Usha Goswami e Paul Howard-Jones. O livro também aborda temas atuais como os neuromitos, o impacto das tecnologias digitais na aprendizagem, os desafios da atenção na era digital e as implicações da inovação pedagógica para contextos marcados por desigualdades sociais e tecnológicas.
Mais do que defender uma metodologia específica, esta obra propõe uma reflexão crítica sobre o futuro da educação, questionando até que ponto as promessas da inovação pedagógica correspondem às evidências científicas disponíveis. O estudo conclui que a aula invertida pode constituir uma estratégia relevante para promover a participação, a autonomia e a personalização das aprendizagens, desde que seja implementada de forma inclusiva, contextualizada e cientificamente fundamentada. A investigação dedica ainda especial atenção à realidade cabo-verdiana, apresentando recomendações para a formação de professores, para a inovação educativa e para o fortalecimento das políticas de inclusão.
Este é o –Volume I– da coleção –Educação Inclusiva e Neurociência da Aprendizagem-. A obra estabelece os fundamentos teóricos que sustentam a relação entre neurociência, inclusão e aprendizagem, servindo como base para os volumes seguintes. O –Volume II-, intitulado –Guia Pedagógico do Professor: A Inclusão e o Sucesso Escolar dos Alunos com Necessidades Específicas de Aprendizagem e Desenvolvimento– (Ver aqui), aprofunda a dimensão prática da inclusão educativa, apresentando orientações, estratégias pedagógicas e recursos destinados a apoiar professores e profissionais da educação na promoção do sucesso escolar de alunos com diferentes necessidades específicas de aprendizagem e desenvolvimento.
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