O artigo científico “A Educação em Cabo Verde: Continuidades Históricas, Alternância Política e Desafios Insulares” analisa a evolução do sistema educativo cabo-verdiano desde o período colonial até à contemporaneidade, articulando perspetivas históricas, sociológicas e políticas.
Partindo de uma abordagem documental e estatística, o estudo demonstra como a educação em Cabo Verde passou de um modelo colonial seletivo e elitista para um sistema de escolarização de massas, marcado pela universalização do ensino básico, expansão do ensino secundário e crescimento do ensino superior. Contudo, o artigo argumenta que os avanços quantitativos não eliminaram desafios estruturais relacionados com qualidade da aprendizagem, desigualdades territoriais entre ilhas, retenção escolar, abandono masculino precoce e desajuste entre formação académica e mercado de trabalho.
A investigação destaca ainda que, apesar das sucessivas reformas e alternâncias governativas desde 1991, a estrutura fundamental da escola cabo-verdiana permaneceu relativamente estável, preservando características como centralização administrativa, currículo disciplinar e cultura avaliativa classificatória. O artigo discute igualmente temas centrais como profissionalização docente, bilinguismo (português e crioulo), digitalização do ensino após a pandemia e os impactos da condição arquipelágica na equidade educativa.
Com base em autores clássicos da Sociologia da Educação, como Pierre Bourdieu, Basil Bernstein e Michael Young, o estudo propõe uma reflexão crítica sobre os limites da massificação escolar e defende que o futuro da educação cabo-verdiana dependerá da capacidade de fortalecer a qualidade do conhecimento escolar, reduzir desigualdades territoriais, valorizar a profissão docente e construir políticas educativas estáveis e estrategicamente articuladas com o desenvolvimento nacional.

