O artigo “Rankings Educacionais, Qualidade da Educação e Políticas Públicas em Cabo Verde” desenvolve uma análise crítica das políticas de rankings educacionais no contexto cabo-verdiano, situando-as no quadro mais amplo da governança global da educação e da crescente centralidade de métricas comparativas internacionais como o PISA. O estudo questiona a tendência contemporânea de reduzir a qualidade educativa a indicadores estatísticos e posições numéricas.
O texto argumenta que os rankings simplificam excessivamente a complexidade da educação, produzindo efeitos pedagógicos, epistemológicos e políticos problemáticos, sobretudo em pequenos Estados insulares marcados por desigualdades territoriais e limitações estruturais. A análise mostra que a introdução do Barómetro Nacional do Sistema Educativo (BNSE) e a participação de Cabo Verde no PISA representam movimentos de alinhamento com modelos internacionais de avaliação e modernização administrativa.
Com base em autores como Gert Biesta e Svein Sjøberg, o artigo sustenta que a centralidade dos rankings pode induzir práticas de “ensino para o teste”, reforçar estigmatizações institucionais e ampliar desigualdades existentes entre escolas e regiões. O estudo alerta ainda para os riscos de confundir desempenho mensurável com qualidade educativa substantiva.
Como alternativa, o texto propõe um modelo de melhoria educativa baseado na avaliação formativa do sistema, apoio pedagógico diferenciado às escolas, valorização do progresso contextualizado e fortalecimento da formação docente situada. O artigo conclui defendendo que transformações educativas sustentáveis exigem abordagens contextualizadas e centradas na prática pedagógica, em vez de lógicas competitivas baseadas exclusivamente em rankings e métricas estatísticas.

