O artigo “A Forma Escolar como Gramática Institucional: Permanências, Reproduções e Transformações na Modernidade Educativa” desenvolve uma análise crítica da escola cabo-verdiana a partir dos conceitos de forma escolar, gramática da escola, controlo simbólico e reprodução social. O estudo examina como a escola moderna em Cabo Verde preserva estruturas organizacionais relativamente estáveis, apesar das sucessivas reformas curriculares e administrativas implementadas após a independência.
O texto argumenta que a forma escolar cabo-verdiana foi simultaneamente herdada do modelo colonial português e apropriada pelo Estado pós-independência como instrumento de integração nacional, alfabetização de massas e legitimação estatal. Mesmo perante reformas orientadas por competências, introdução de avaliações externas e influência crescente de organismos internacionais, a arquitetura fundamental da escola, organização seriada, currículo disciplinar, avaliação classificatória e centralização curricular, manteve forte continuidade histórica.
Com base em Hofstetter, Schneuwly, Tyack, Tobin, Bernstein e Bourdieu, o artigo sustenta que a escola moderna possui uma “gramática institucional” resiliente, capaz de absorver mudanças sem alterar profundamente os seus princípios estruturantes. A investigação demonstra que as reformas educativas em Cabo Verde tendem a produzir ajustamentos incrementais, preservando os mecanismos de controlo simbólico e hierarquização do conhecimento escolar.
O estudo discute igualmente a relação entre escolarização de massas e reprodução das desigualdades sociais, destacando as assimetrias territoriais entre ilhas, as diferenças socioeconómicas e os impactos do capital cultural familiar nos percursos escolares. O artigo conclui que compreender a escola cabo-verdiana exige articulá-la com processos de pós-colonialidade, globalização educativa e governança por indicadores, evidenciando a tensão permanente entre continuidade estrutural e adaptação normativa.

