O artigo “Entre a Ordem e a Crítica: A Construção Histórica das Ciências Sociais e os Dilemas Contemporâneos” analisa o surgimento e a evolução das ciências sociais desde a modernidade até aos desafios epistemológicos contemporâneos, destacando a relação entre conhecimento científico, organização social e estruturas de poder.
Partindo das transformações provocadas pela Revolução Francesa e pela Revolução Industrial, o texto demonstra como as ciências sociais emergiram como resposta às profundas mudanças políticas, económicas e culturais da modernidade. O artigo discute criticamente o papel das ciências sociais não apenas como instrumentos de descrição da realidade, mas também como formas de interpretação, regulação e transformação social.
A investigação revisita os contributos clássicos de Karl Marx, Émile Durkheim e Max Weber, evidenciando três grandes paradigmas da teoria social: a crítica das desigualdades e da exploração capitalista, a análise da coesão e da ordem social e a compreensão interpretativa da ação humana e da racionalização moderna. O estudo mostra como essas perspetivas continuam relevantes para compreender fenómenos contemporâneos como desigualdade global, burocratização, crise das instituições e transformações do capitalismo.
Ao dialogar com autores contemporâneos como Immanuel Wallerstein, Anthony Giddens e Boaventura de Sousa Santos, o artigo problematiza os limites epistemológicos das ciências sociais, questionando o eurocentrismo, a crise da verdade e a necessidade de incorporar epistemologias plurais e críticas. Defende-se que as ciências sociais devem ultrapassar uma função meramente técnica ou descritiva, assumindo um compromisso reflexivo, crítico e emancipador perante os desafios sociais do presente.

