O artigo “Políticas, Práxis e Perspetivas Hegemónicas e Contra-hegemónicas na Educação em Cabo Verde e em Portugal” apresenta uma análise crítica e comparativa das políticas educativas e curriculares de Cabo Verde e Portugal, examinando as tensões entre colonialidade, decolonialidade, hegemonia curricular e valorização dos conhecimentos locais.
O estudo parte da ideia de que documentos curriculares, programas escolares, leis educativas e manuais não são neutros, mas instrumentos de poder que definem quais conhecimentos são legitimados pela escola. A análise mostra que tanto Cabo Verde como Portugal combinam discursos de inclusão, competências e qualidade educativa com modelos técnicos e padronizados de governação curricular influenciados por referências internacionais e europeias.
No caso cabo-verdiano, o artigo identifica movimentos de valorização da história nacional, da memória anticolonial e da cultura crioula, entendidos como sinais de resistência e de descolonização curricular. Contudo, argumenta-se que persistem estruturas de colonialidade nos currículos, nas formas de avaliação e nos modelos de gestão educativa, ainda fortemente alinhados a padrões eurocêntricos e internacionais.
Ao discutir hegemonias e contra-hegemonias na educação, o estudo questiona até que ponto as políticas de inclusão e justiça curricular conseguem transformar efetivamente as práticas pedagógicas quotidianas. O artigo conclui defendendo a necessidade de políticas educativas mais críticas, plurais e culturalmente contextualizadas, capazes de articular qualidade educativa, valorização dos saberes locais e justiça epistemológica.

