O artigo “Escola, Sociedade e Produção da Mudança: Forma Escolar, Gramática da Escola e Construção do Estado-Nação” apresenta uma revisão crítica da literatura sobre a relação entre escola e sociedade, analisando a escola moderna como espaço simultâneo de reprodução social e potencial transformação educativa, com especial atenção ao contexto cabo-verdiano.
O estudo centra-se nos conceitos de forma escolar, gramática da escola e escolarização de massas, demonstrando como a instituição escolar foi historicamente construída no processo de consolidação do Estado-nação moderno. A análise evidencia que a escola não funciona apenas como espaço de transmissão de conhecimentos, mas também como mecanismo de socialização, uniformização cultural e regulação social.
Com base em autores como Hofstetter, Schneuwly, Gauthier, Tardif, Bourdieu e Bernstein, o artigo mostra que as reformas educativas enfrentam fortes continuidades estruturais. Apesar dos discursos de inovação, a organização da escola moderna, marcada pela divisão disciplinar, currículos padronizados, avaliação classificatória e centralização institucional, tende a manter elevada estabilidade histórica.
A investigação discute ainda a tensão entre reprodução e transformação social, defendendo que a escola pode simultaneamente reforçar desigualdades e produzir mudanças graduais nas práticas pedagógicas. No caso de Cabo Verde, o artigo analisa os desafios da escolarização em contexto pós-colonial e insular, oferecendo uma leitura crítica das reformas educativas e das limitações estruturais da mudança escolar.

